O Nikolas Ferreira ajudou o PCC na operação carbono?

Reimont afirma que o bolsonarista teve um papel na revogação de uma norma da Receita Federal que visava aumentar a fiscalização de fintechs, mecanismo utilizado pela facção para lavar dinheiro.

Ricardo de Moura Pereira

8/29/20253 min read

Segundo as informações de portais de notícias com fontes confiáveis. O deputado federal petista Reimont (RJ) tentou associar a facção Primeiro Comando da Capital (PCC) ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) devido a um vídeo contra a proposta da Receita Federal de monitorar transações via Pix superiores a R$ 5 mil.

Em um ofício apresentado ao procurador-geral da República, o presidente da Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara solicita a investigação do bolsonarista. Ele afirma que a campanha de Nikolas ajudou a aumentar a pressão para a revogação de uma regra da Receita que tinha como objetivo intensificar a supervisão das fintechs. As autoridades indicam que o PCC usa esse mecanismo em esquemas de lavagem de dinheiro.

Nikolas Ferreira colaborou com o PCC? O vídeo dele, repleto de fake news sobre o Pix, pode ter contribuído para que o PCC evitasse a supervisão de suas atividades em fintechs. “Vamos buscar essa resposta aqui em Brasília!”, afirmou o petista em uma publicação nas redes sociais.

Três operações iniciadas nesta quinta-feira demonstram que o crime organizado utilizou bancos para lavar dinheiro. No mês de setembro do ano passado, a Receita Federal publicou a Instrução Normativa (IN) 2219/24, com o propósito de atualizar a relação de formas de pagamento que deveriam ser comunicadas à Receita. A proposta era submeter as fintechs às mesmas normas aplicadas aos bancos.

No documento enviado à PGR, Reimont pede que seja considerada a possibilidade de prisão preventiva de Nikolas, se a investigação apontar ameaça à ordem pública. A deputada federal Duda Salabert (PDT-MG) afirmou em suas redes sociais que solicitou ao Ministério Público Federal (MPF) e ao Ministério da Justiça que investigassem Nikolas.

"Seu vídeo a respeito do alegado 'imposto do Pix' não foi somente uma fake news: ele desmantelou uma regra da Receita e beneficiou grupos criminosos como o PCC. "É necessário investigar os motivos reais que provocaram a mobilização da extrema direita e se há influência do PCC por trás desse ato", afirmou Salabert. Nikolas ainda não havia comentado sobre a acusação até a reportagem ser publicada.

Robinson Barreirinhas, secretário especial da Receita Federal, declarou que as notícias falsas relacionadas ao Pix no começo do ano impediram o governo de aumentar a supervisão das fintechs, que passaram a ser um dos principais "braços financeiros" do PCC. Ele afirmou que a lavagem de dinheiro pelo grupo só se tornou viável devido ao ataque perpetrado contra a Receita em janeiro, o qual foi considerado por ele como “o maior ataque da história”.

— Publicamos uma Instrução Normativa que impõe às fintechs as mesmas exigências de transparência e fornecimento de informações que todas as instituições mantêm no Brasil há mais de duas décadas. Em setembro, publicamos, e em janeiro, a Receita Federal enfrentou o maior ataque de desinformação e fake news, alegando que a instrução se referia à tributação dos meios de pagamento — declarou Robinson Barreirinhas, referindo-se ao Pix.

O Impacto do vídeo de Nikolas

Nikolas postou um vídeo em janeiro deste ano, no qual descreveu a Instrução Normativa da Receita como a “taxação do pix”. Naquele período, o vídeo se tornou viral, superando cem milhões de visualizações nas plataformas de mídia social. Com a repercussão, tanto o governo quanto a Receita Federal recuaram da decisão. Naquele momento, o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou que "o estrago já estava feito".

Na quinta-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou que começará a classificar as fintechs como instituições financeiras a partir de sexta-feira. O ministro esclareceu que a ação tem como objetivo fortalecer a capacidade de fiscalização sobre esses indivíduos, revelados nas operações iniciadas hoje como o "braço financeiro" do crime organizado. A partir desse ponto, as fintechs estarão sujeitas às mesmas normas que os bancos, por exemplo.

Uma nova Instrução Normativa da Receita Federal será publicada para implementar a medida. De acordo com Haddad, o objetivo é empregar os recursos da Receita, incluindo a Inteligência Artificial, para agilizar o monitoramento e a fiscalização. Além disso, a medida tem como objetivo evitar possíveis manobras em relação às obrigações fiscais, geralmente empregadas por organizações criminosas.

A medida foi publicada em setembro de 2024, com previsão de entrada em vigor para janeiro deste ano. No entanto, após pressão política e campanhas nas redes sociais, a medida foi revogada. A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa sobre a Operação Carbono Oculto, que investiga empresas de combustíveis e instituições financeiras suspeitas de lavar dinheiro da facção.

De acordo com Barreirinhas, a revogação da norma foi consequência de uma onda de desinformação disseminada nas mídias sociais. Naquele período, um vídeo do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) recebeu mais de 9 milhões de curtidas no Instagram e foi visto como o principal impulsionador da campanha contra a medida.

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Fontes Brasil de Fatos - O globo