Nicolas Ferreira protegendo o PCC no crime organizado
As operações da PF mostram que há lavagem de dinheiro na cadeia de combustíveis; Lewandowski diz que é a “ponta do iceberg”; e Nikolas enfrenta a lei do retorno.
Ricardo de Moura Pereira
8/30/20252 min read


Na manhã de hoje, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) de ter disseminado notícias falsas em grande escala sobre o PIX no começo do ano. Isso teria favorecido o Primeiro Comando da Capital (PCC) e retardado a supervisão das fintechs. "Ele recorreu a fake news para apoiar o crime organizado", afirmou o presidente, sem mencionar o parlamentar pelo nome.
Luiz Inácio afirmou: "Está provado que o que ele estava fazendo era defender o crime organizado".
Lula recordou que o deputado acusou o governo de planejar a taxação do PIX, o que provocou uma crise no governo e, segundo o presidente, facilitou a atuação das empresas ligadas ao PCC.
Na mesma linha, Robinson Barreirinhas, secretário especial da Receita Federal, declarou na quinta-feira, 28, que a suspensão das diretrizes de monitoramento do Pix no começo do ano permitiu que o PCC lavasse dinheiro em fundos de investimento geridos por fintechs — empresas de pagamento com regras mais flexíveis do que as bancárias.
A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa em São Paulo, após a realização de três operações conjuntas da Receita Federal, Polícia Federal e Ministério Público — Carbono Oculto, Tank e Quasar. As investigações indicam que facções criminosas utilizaram a cadeia de combustíveis para esconder fundos provenientes do tráfico de drogas.
Conforme Barreirinhas, a instrução normativa divulgada em setembro de 2023 estabelecia que, a partir de janeiro, as fintechs deveriam cumprir os mesmos requisitos de monitoramento dos bancos tradicionais, enviando a declaração e-Financeira em situações de movimentações de alto valor. Entretanto, a medida foi revogada após uma série de notícias falsas que distorceram o texto, ligando-o a uma alegada cobrança de imposto sobre transferências feitas por meio do Pix.
"Divulgamos a instrução com início em janeiro. O que ocorreu em janeiro é do conhecimento de todos. "O secretário afirmou que a Receita enfrentou o maior ataque de sua história, com mentiras e notícias falsas alegando que se tratava da tributação do Pix." "Essas falsidades foram tão poderosas que tivemos que recuar. As operações de hoje revelam quem se beneficiou: o crime organizado."
As operações demonstram apenas uma parte do esquema criminoso, segundo o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski. "Identificamos a ponta desse iceberg e agora vamos investigar a base", afirmou em entrevista ao programa A Voz do Brasil.
De acordo com ele, as investigações mostraram que o crime organizado está infiltrado em setores legais da economia, como serviços financeiros e combustíveis. “O crime organizado precisa ser sufocado financeiramente”, declarou o ministro, mencionando o bloqueio de R$ 3,2 bilhões e a identificação de mais de mil postos de combustíveis implicados na adulteração de gasolina, desvio de metanol e lavagem de dinheiro ilícito. As operações executaram 14 mandados de prisão e quase 400 ordens judiciais, bloqueando bens de indivíduos e empresas em montantes superiores a R$ 1 bilhão.
Fonte - Extra classe