Injeção mortal na UTI DF: conheça as vítimas
Três auxiliares de enfermagem foram detidos sob suspeita de matar pacientes na UTI de um hospital privado em Taguatinga. A Polícia Civil investiga o uso de substâncias letais e falsificação de prontuários.
Ricardo de Moura Pereira
1/21/20262 min read


A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deteve três técnicos de enfermagem suspeitos de matar ao menos três pacientes na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Anchieta, localizado em Taguatinga. As investigações realizadas no contexto da Operação Anúbis demonstraram que as mortes foram provocadas pela administração intencional de doses letais de medicamentos e, em um dos casos, até de desinfetante, diretamente na veia das vítimas, entre novembro e dezembro de 2025.
Os crimes afetaram pacientes de várias idades e condições clínicas. A investigação confirmou que as vítimas são uma docente, um funcionário público e um carteiro. Miranilde Pereira da Silva, aos 75 anos, trabalhava como professora na rede pública do Distrito Federal, atuando na Regional de Ensino de Ceilândia e lecionando na Escola Classe 03. Em um comunicado, o Sindicato dos Professores do Distrito Federal mencionou que ela deixou um legado de carinho, aprendizado e cidadania para muitas crianças.
João Clemente Pereira, com 63 anos, era um servidor do setor público. Ele fazia parte da equipe da Caesb, onde exercia a função de supervisor de manutenção.
Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33 anos, era carteiro e colaborador nos CDD dos Correios em Brazlândia. Uma amiga comentou nas redes sociais que Marcos era um "amigo, brincalhão e prestativo", enquanto outra pessoa declarou que "toda aquela alegria nunca será esquecida". De acordo com a PCDF, o técnico Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, tinha a responsabilidade de manejar as substâncias.
Para conseguir os medicamentos, ele se fazia passar por médico, acessava o sistema de receitas hospitalares e ajustava as dosagens ou ingredientes para que se tornassem letais.
As investigações indicam que ele retirava os insumos da farmácia, preparava as doses e as ocultava em seu jaleco para realizar as aplicações nos leitos. Em um dos episódios, o enfermeiro teria administrado desinfetante mais de dez vezes em uma idosa após ela ter várias paradas cardíacas.
Durante sua ação, as técnicas Amanda Rodrigues de Sousa, 22 anos, e Marcela Camilly Alves da Silva, 28 anos, monitoravam a porta para evitar a entrada de outros funcionários no quarto.
Os três implicados foram dispensados e estão sendo acusados de homicídio qualificado. A polícia continua apurando a possibilidade de haver outras vítimas do grupo no hospital.