Aliança Implícita entre TV Globo e Bolsonarismo Fracassa em Meio a Prisão de Bolsonaro
Com a condenação e prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro por trama golpista, tentativa de aproximação ou pacto com setores da mídia hegemônica desmorona, isolando ainda mais o campo da extrema direita para as eleições de 2026.
Ricardo de Moura Pereira
1/2/20262 min read


Brasília, DF – No turbulento cenário político brasileiro de início de 2026, o que alguns analistas chamavam de "pacto implícito" ou tentativa de aliança entre o bolsonarismo e partes da grande mídia, especialmente o Grupo Globo, parece ter chegado ao fim definitivo. A prisão de Jair Bolsonaro, decretada após condenação por envolvimento em tentativa de golpe de Estado, expôs as fragilidades de qualquer aproximação que pudesse ter sido ensaiada nos bastidores, deixando o campo da extrema direita ainda mais isolado às vésperas das eleições presidenciais.
Fontes próximas ao Planalto e ao Congresso indicam que, nos últimos meses de 2025, houve movimentos discretos para uma "trégua" ou alinhamento tático. O bolsonarismo, enfraquecido pela inelegibilidade de seu líder máximo até 2060 e por divisões internas – como as brigas familiares entre Flávio Bolsonaro, Michelle Bolsonaro e os irmãos –, buscava neutralizar críticas da imprensa tradicional para focar em pautas como anistia e candidaturas para 2026. Do outro lado, setores da mídia, tradicionalmente críticos ao radicalismo bolsonarista, teriam sinalizado abertura a diálogos para evitar escaladas institucionais.
No entanto, a realidade se impôs de forma implacável. A prisão domiciliar inicial, seguida de regime fechado, sepultou qualquer ilusão de acordo. "O pacto que iludiu a família Bolsonaro desmoronou", comentam aliados do ex-presidente, referindo-se à expectativa de que uma moderação retórica pudesse render dividendos junto à opinião pública moderada e à mídia. Pesquisas recentes, como a da Quaest, mostram que 54% dos brasileiros consideram um erro a indicação de Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência em 2026, reforçando a rejeição ao sobrenome que outrora mobilizava milhões.
A Globo, historicamente acusada por bolsonaristas de ser "inimiga" e "golpista" – ironicamente, rótulos que a emissora já carregou de lados opostos ao longo de décadas –, manteve linha editorial crítica aos atos antidemocráticos. Coberturas detalhadas sobre a trama golpista, incluindo relatórios da Polícia Federal e decisões do STF, contribuíram para consolidar a narrativa de responsabilidade de Bolsonaro e aliados. Tentativas de aproximação, como entrevistas ou espaços mais favoráveis, não prosperaram, e o isolamento digital e político do ex-presidente se acentuou.
Analistas políticos apontam que o fracasso dessa "aliança não declarada" beneficia o governo Lula, que vê o oposicionismo fragmentado. No Centrão, partidos como PP e União Brasil rejeitam abertamente Flávio como candidato viável, preferindo nomes como Tarcísio de Freitas – que, por sua vez, enfrenta resistências internas no bolsonarismo raiz. Divisões familiares, com Michelle Bolsonaro ganhando influência via PL Mulher e questionando alianças regionais, agravam o quadro.
Para o bolsonarismo, o ano de 2026 inicia com desafios monumentais: sem liderança carismática unificada, com rejeição alta e sem apoio midiático amplo, a extrema direita corre o risco de diluição em candidaturas múltiplas ou neutralidade forçada. "O sonho de um pacto com a 'grande imprensa' para conter o STF e o governo evaporou", resume um deputado oposicionista. Resta ao campo radical apostar em narrativas de vitimização e mobilização digital, mas o fracasso da suposta aliança com setores como a Globo sinaliza tempos difíceis pela frente.
Enquanto Brasília se prepara para um ano eleitoral polarizado, o episódio serve como lembrete: em política, alianças implícitas raramente sobrevivem à pressão da realidade judicial e da opinião pública. O bolsonarismo, outrora agressivo, agora luta para não se tornar mera sombra de seu passado.